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20 FEVEREIRO 2015 - 17:50 - Cultura
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Artista capixaba participa de mostra de Marina Abramovic em SP

Conheça o trabalho de Rubiane Maia, uma das performers selecionadas por Abramović para participar da exposição ‘Terra Comunal’, a partir de março

Por: Aline Alves

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Rubiane Maia na performance "Jardín Secreto", que deu origem ao trabalho que será apresentado na exposição Terra Comunal. Foto: Divulgação

Durante dois meses, uma pequena plantação brotará em meio ao centro cultural Sesc Pompeia, na capital paulista. Na performance “O Jardim”, a artista capixaba Rubiane Maia cultiva feijões, e acompanha o processo desde a germinação ao crescimento da planta. Este é um dos trabalhos selecionados para a exposição Terra Comunal, de Marina Abramović, que tem abertura no dia 11 de março. 

A mostra será a maior retrospectiva da carreira de Abramović já realizada na América do Sul. A artista sérvia, considerada um dos maiores expoentes da arte da performance no mundo, apresentará ao público três instalações: The House with the Ocean View (A Casa com Vista para o Mar), que traz a narração das ações da artista durante a performance de 12 dias apresentada em  Nova York, em 2002; The Artist is Present (A Artista está Presente), com as duas cadeiras da exposição no MoMA, em Nova York, e projeções que mostram de um lado o público que participou da performance em 2010 e, do outro lado, Marina Abramović olhando cada um deles; e a inédita 512 Hours (512 Horas), criada a partir da performance realizada na Serpentine Gallery, em Londres, no ano passado. 

Também será exibida uma seleção de vídeos de performances criados a partir da primeira visita de Abramović ao Brasil, desde 1989, onde pesquisou minerais e pedras preciosas e suas influências no corpo humano. Na exposição, que fica em cartaz até 10 de maio, serão realizados oito encontros com a artista, nos dias 11 e 25 de março; e 01, 02, 08, 15, 22 e 30 de abril. 

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Marina Abramović estreia mostra no Brasil em março. Foto: Divulgação

A segunda parte da mostra convida o público a experimentar o Método Abramović através de uma série de atividades imersivas. Oito artistas brasileiros, selecionados por Marina e pelas curadoras Paula Garcia e Lynsey Peisinger, realizarão performances autorais de longa duração. No grupo escolhido está Rubiane Maia e seu “jardim”. 

Rubiane recebeu o convite para apresentar seu portfólio em dezembro de 2013 e, um mês depois, teve a oportunidade de conhecer Marina pessoalmente. A confirmação de que faria parte da mostra veio no final do ano passado. “Confesso que a primeira sensação foi de surpresa, quando pediram o meu portfólio. Depois, veio a curiosidade – é claro que achei especial a possibilidade de conhecer a Marina e ouvir, mesmo que rapidamente, as impressões dela sobre o meu trabalho, além de sentir um pouco mais de perto a energia que ela emana. Mas confesso que entrei nesta seleção sem criar muitas expectativas ou pretensões, apenas segui o fluxo dos acontecimentos. Agora, estou feliz em participar, tendo a oportunidade de realizar o meu trabalho num contexto de total imersão – nunca realizei uma performance tão longa”, explica. 

Em O Jardim, Rubiane estará em ação todos os dias até o final da mostra, das 13h às 21h. Esse trabalho foi apresentado pela primeira vez em 2012, na Espanha, e agora será mostrado ao público brasileiro com algumas mudanças. “Em 2012 a performance foi realizada em um estúdio isolado, onde eu permanecia praticamente sozinha, e boa parte do tempo, em silêncio. Somente no final do processo que o jardim foi transferido desse local, e montado numa sala, com o chão coberto por uma camada bem espessa de algodão. Agora há muitos elementos novos, o eixo da pesquisa continua o mesmo, mas com outros desafios, como o plantio na terra e o uso complementar de iluminação artificial. E, também, o público poderá ver o processo desde o início, pois estarei no espaço expositivo em todo o período da mostra – dois meses. Serão 8 horas por dia de ação presente”, conta Rubiane. 

Além da artista, também se apresentam em Terra Comunal: Ayrson Heráclito (Transmutação da Carne), Fernando Ribeiro (O Datilógrafo), Grupo Empreza (Vesúvio), Maikon K (DNA do DAN), Marco Paulo Rolla (Preenchendo o Espaço), Maurício Ianês (O Vínculo) e Paula Garcia (Corpo Ruindo). 

Contadora de histórias
Rubiane Maia é graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e atua como artista, professora e pesquisadora. Seus trabalhos dialogam com a performance, a instalação, a fotografia e o vídeo. Em seu portfólio constam participações em diversos encontros, festivais e residências artísticas no Brasil e em outros países, como Argentina, França, Espanha, Irlanda e Lituânia. 

O contato de Rubiane com a performance se deu na universidade, a partir de experimentações com colegas de curso e coletivos, ainda que essa forma de arte não constasse oficialmente na grade curricular do curso. 

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Performance 'decanto, até quando for preciso esquecer'. Foto: Divulgação

No ano de 2010, em parceria com o também performer Marcus Vinícius, ela organizou em Vitória um grande encontro de artistas de vários estados e países, o evento Trampolim – Plataforma de encontro com a arte da performance. “Foram seis meses vivenciado uma experiência fortíssima, que creio ser impossível dimensionar, extremamente intensa e transformadora. Nesse período, comecei a desentocar projetos solos de performance que estavam adormecidos, abri espaço para que as ideias ganhassem contornos mais definidos, uma forma, e mergulhei! No final de 2012 e em todo o ano de 2013 vivi um ano sabático, viajando e participando de residências, encontros e festivais de arte em diversos países, e também aqui no Brasil, sempre realizando performances”, conta a artista. 

Sobre a recepção da performance pelos brasileiros, Rubiane acredita não ser possível avaliar, uma vez que as ações dependem da proposta de cada artista e do cenário em que estão inseridas. Ainda assim, considera que eventos como a exposição de Abramović no Brasil são importantes por colocarem a arte da performance em total evidência. 

“O que posso dizer de uma maneira mais micro que macro, é que geralmente me deparo com uma enorme curiosidade das pessoas em torno da performance. Talvez isso se dê porque sempre convivi com grupos e pessoas que estão fora, ou bem distantes do universo mais formal da arte. E eu embarco, porque gosto de ouvir o que elas imaginam, entendem, e elas me fazem milhões de perguntas, algumas óbvias, outras não, completamente surpreendentes. Mas quase sempre elas querem ouvir sobre as experiências. Há momentos em que chego a me sentir um pouco contadora de histórias”, afirma. 

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Performance 'estigma (siempre hay una promesa)'. Foto: Divulgação

As histórias de Rubiane também podem ser sentidas através da literatura e do cinema. Em 2014, ela lançou o livro autorretrato em notas de rodapé, que traz textos em prosa e poesia em formato de notas, como o próprio título indica. Neste ano, será lançado seu primeiro curta-metragem, a ficção EVO, com roteiro inspirado em pesquisas acerca da memória e dos sonhos.

O filme foi feito em parceria com Renata Ferraz e já está em processo de finalização. “EVO me fez aprender muito, um bocado de coisas novas… E ainda, o desafio de estar na frente da câmera – mesmo que interpretando a mim mesma, achei super difícil. Mas, como o filme aborda um aspecto da nossa relação com a memória junto às nossas escolhas, não havia como escapar, desde o início optamos por trabalhar com componentes documentais – tanto meus quanto da Renata – misturados”, diz. 

Atualmente, Rubiane também participa da exposição coletiva Modos de Usar, em cartaz até 1º de março no Museu de Arte do Espírito Santo. Para conhecer e acompanhar os trabalhos de Rubiane Maia, acesse o site da artista.

Serviço

Exposição Terra Comunal – Marina Abramović + MAI
Local: Sesc Pompeia (Área de Convivência, Galpão e Teatro). Rua Clélia, 93, São Paulo - SP
Período da exposição: 11 de março a 10 de maio de 2015; terça a sexta, das 10h às 21h, e domingo, das 10h às 18h
Encontros com Marina Abramović: 11 e 25 de março; 01, 02, 08, 15, 22 e 30 de abril
Performance O Jardim, de Rubiane Maia: será realizada durante todo o período da exposição, das 13h às 21h
Classificação indicativa da exposição: 12 anos
Entrada gratuita

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