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15 MAR�O 2013 - 10:45 - Cultura
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Sou ES bate um papo com Nill Schaefer, ator que vive o lendário Chico Prego no teatro

Último fim de semana para conferir a peça Chico Prego

Por: Leonardo Vais

NILL

Chico Prego é uma figura lendária dentro na história da cultura do Espírito Santo. O escravo foi uma das principais figuras da Insurreição de Queimados, que aconteceu na Serra, em 1849 e culminou na sua morte, em praça pública - localizada nas proximidades de uma igreja da região - por enforcamento.

É a história deste homem, da sua importância para a cultura negra e do movimento que liderou que o espetáculo “Chico Prego” - em cartaz na Escola de Teatro, Dança e Música Fafi – faz um recorte. “Está sendo uma honra para mim contar a história do meu povo”, afirma o Nill Schaefer, ator e bailarino que da vida a Chico Prego.

Dirigido por Nýsio Chysostomo, o espetáculo é uma montagem da Cia. Makuamba, que une elementos da capoeira, congo, maculelê e jongo. “O público sai encantado e surpreso com o que vê. Vemos pessoas dançando e cantando com a gente”, conta Nill.

O Sou ES bateu um papo com o ator sobre a montagem, a preparação para o papel e a situação dos negros na atualidade. “Eu sempre acredito que a luta ainda não chegou ao fim”, afirma ele. Confira!

1. Sou ES: Como é interpretar o lendário Chico Prego?
Nill Schaefer: Está sendo uma honra para mim poder dar vida no teatro ao Chico Prego. É um desafio fazer as pessoas sentirem esse guerreiro tão próximo, e mais que isso, estar contando minha história, a do meu povo, da minha ancestralidade.

CHICO PREGO2. Sou ES: Houve alguma preparação especial para o personagem?
NS: A preparação, em especial, veio a partir da história da Insurreição de Queimados para entender todo o contexto e trazer junto com a preparação física o que para nós, da dramaturgia, seria esse corpo, essa fala e esse jeito guerreiro do Chico Prego. As danças tribais nos ajudaram a desenvolver esse "corpo".

3. Sou ES: O espetáculo mistura dança e música com o congo, o jongo e a capoeira. Como é feita está mistura no palco?
NS: A mistura acontece como uma ligação das cenas, que surgiram a partir de uma construção coletiva da experiência de cada ator e sua relação com a música que se apresentava. Batuque é algo já presente na vida de cada um, a capoeira também. O congo e o jongo vieram com a naturalidade do indivíduo capixaba, que conhece sua música. Inserir essa musicalidade era a forma de homenagear esse guerreiro capixaba, o congo de roda d'água e os quilombos formados por ele e Elisiário.

4. Sou ES: Vocês estão em cartaz há algumas semanas. Como anda a receptividade do público?
NS: O público sai encantado e surpreso com o que vê. Desde a estreia vemos pessoas se emocionando, chorando, dançando e cantando com a gente! Queremos que mais pessoas possam assistir a esse espetáculo.

5. Sou ES: A peça conta a história do Chico Prego, um cara que lutou pela liberdade dos negros. Como você enxerga a questão dos negros na atualidade?
NS: Eu sempre acredito que a luta ainda não chegou ao fim, enxergo uma mudança razoável quando vejo nas pessoas a dificuldade de identificar sua origem devido a anos de negação. Ainda estamos longe da igualdade, e é preciso ser negro para entender o que é um olhar de desconfiança para você dentro de uma loja, mercado, etc... A luta ainda está sempre no começo.

6. Sou ES: Convide as pessoas para assistirem a peça "Chico Prego".
NS: Fica o convite para todos prestigiarem o espetáculo Chico Prego e conhecerem um pouco da história do ES com muita música, batuque e dança. Valorize a arte, faça seu final de semana mais cultural.

Confira todas as informações sobre a peça aqui.

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